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Você já reparou na quantidade de pedais de distorção BOSS disponíveis e ficou em dúvida sobre o que realmente muda de um modelo para outro? DS-1, DS-2, MD-2, MT-2, ML-2, DS-1W, HM-2W... os nomes mudam, as cores mudam, mas principalmente, a maneira como cada pedal reage à guitarra também muda.
Isso acontece porque distorção não significa apenas “mais ganho”. Quantidade de saturação, resposta de frequências, compressão, definição das notas, dinâmica, equalização e interação com o amplificador fazem com que dois pedais aparentemente destinados à mesma função possam produzir resultados bastante diferentes.
Este é o primeiro capítulo do Guia dos Pedais BOSS da Openstage, uma série criada para explicar os principais efeitos da marca e ajudar você a entender o que muda de um modelo para outro antes de escolher o seu pedal.
Na Openstage, em Porto Alegre, guitarristas iniciantes e profissionais encontram orientação para comparar instrumentos, amplificadores, pedais e acessórios de acordo com o som que procuram, com atendimento presencial e online para todo o Brasil.
Neste post, vamos responder:
Um pedal de distorção aumenta e modifica o sinal da guitarra até provocar clipping, alterando a forma de onda e produzindo um som mais saturado, comprimido e rico em harmônicos. O resultado pode variar de um crunch relativamente moderado até uma parede de ganho extremamente pesada.
É justamente nessa variação que começa a resposta para a pergunta central deste post.
Dois pedais podem gerar distorção e ainda assim reagir de maneiras muito diferentes. Um pode privilegiar médios, outro reforçar graves. Um pode manter bastante definição entre as notas, enquanto outro produz uma textura mais comprimida e agressiva.
A quantidade de ganho também não conta toda a história.
O circuito, o tipo de equalização e a maneira como o pedal reage à palhetada influenciam diretamente a sensação ao tocar. É por isso que um DS-1 não simplesmente se transforma em um MT-2 quando você gira o controle de Distortion até o máximo.
São propostas diferentes desde o projeto do circuito.
A distorção é um dos efeitos mais utilizados na guitarra elétrica e está presente em rock, punk, grunge, hard rock, metal, fusion, música alternativa e muitos outros estilos. A própria trajetória da BOSS dentro dessa categoria começa com o DS-1, lançado em 1978.
Overdrive e distortion pertencem à mesma grande família dos efeitos de ganho, mas trabalham com propostas diferentes. De forma simplificada, o overdrive tende a reproduzir o comportamento de um amplificador valvulado sendo empurrado, enquanto a distorção normalmente produz clipping mais intenso e uma transformação maior do sinal original.
Por isso, um overdrive costuma preservar mais da dinâmica da guitarra e da resposta da palhetada.
A distorção tende a acrescentar mais compressão, saturação e personalidade própria ao timbre.
Essa divisão não é uma fronteira rígida. Existem pedais que transitam entre os dois mundos e outros que combinam circuitos diferentes justamente para permitir essa mistura.
O OS-2 OverDrive/Distortion é um ótimo exemplo. Ele possui circuitos independentes de overdrive e distorção, e seu controle Color permite utilizar um dos lados ou misturar os dois em paralelo.
Entender essa diferença também prepara o terreno para um próximo capítulo do nosso Guia dos Pedais BOSS, dedicado especificamente aos diferentes tipos de overdrive da marca.
A BOSS possui vários modelos porque não existe uma única sonoridade de distorção que funcione para todos os músicos, guitarras, amplificadores e estilos. Cada circuito foi desenvolvido para oferecer uma combinação própria de ganho, equalização, dinâmica e textura.
A linha atual mostra isso com bastante clareza.
Há pedais que procuram oferecer uma distorção clássica e direta, modelos voltados para alto ganho, circuitos com controles avançados de equalização, pedais inspirados no comportamento de amplificadores e versões especiais de projetos históricos.
A categoria de distorção da BOSS Brasil atualmente reúne DS-1, DS-1W, DS-1X, JB-2, MD-2, ST-2, ML-2, MT-2, DS-2, MT-2W e HM-2W.
Não estamos falando, portanto, de onze versões do mesmo som.
Estamos falando de diferentes interpretações do que uma guitarra distorcida pode fazer.
Essa variedade começa a fazer muito mais sentido quando analisamos os modelos por proposta.
DS-1, DS-2, DS-1W e DS-1X compartilham a ideia de uma distorção versátil, mas representam momentos e tecnologias diferentes na história da BOSS.
O DS-1 Distortion é o ponto de partida. Lançado em 1978, foi o primeiro pedal de distorção da BOSS e continua em produção. Seu circuito trabalha com uma distorção agressiva, ataque definido e sustain suave, utilizando os conhecidos controles Level, Tone e Distortion.
É uma proposta relativamente simples, e justamente por isso tornou-se uma referência para gerações de guitarristas.
O DS-2 Turbo Distortion, lançado em 1987, amplia essa ideia utilizando dois modos. O Turbo I trabalha com uma distorção encorpada e reforço de graves e médios, enquanto o Turbo II aumenta a presença dos médios e produz uma resposta especialmente útil para riffs e solos que precisam aparecer mais na mixagem.
O DS-2 ainda possui entrada Remote, permitindo alternar os modos através de um footswitch externo.
Já o DS-1W leva o conceito do DS-1 para a série Waza Craft.
No modo Standard, ele preserva a proposta sonora do clássico. O modo Custom adiciona um caráter mais cheio, com maior presença de médios e resposta diferente ao toque. Seu circuito é totalmente analógico e utiliza uma arquitetura de ganho de dois estágios.
O DS-1X, por outro lado, segue outra filosofia.
Ele utiliza processamento digital de alta velocidade e a tecnologia MDP (Multi-Dimensional Processing), para analisar diferentes aspectos do sinal em tempo real. A ideia é preservar definição e resposta mesmo utilizando níveis elevados de distorção.
Ou seja: mesmo dentro da família “DS”, já encontramos quatro maneiras diferentes de abordar o efeito.
MD-2, MT-2 e ML-2 entram em territórios de ganho mais pesado, mas não foram criados para produzir exatamente o mesmo tipo de distorção.
O MD-2 Mega Distortion utiliza um circuito de ganho em múltiplos estágios e acrescenta controles Gain Boost e Bottom. Essa combinação permite aumentar a quantidade de saturação e reforçar a região grave, característica especialmente útil para guitarras com afinações baixas e instrumentos de sete cordas.
O MT-2 Metal Zone segue por outro caminho.
Lançado em 1991, utiliza um circuito de ganho de dois estágios e uma das seções de equalização mais completas entre os compactos tradicionais da BOSS. Seu EQ ativo de três bandas permite boost ou corte de até 15 dB e inclui controle de frequência dos médios.
Isso significa que o MT-2 depende bastante da regulagem.
Pequenas mudanças nos médios podem transformar significativamente o resultado, o que explica por que ele permite construir timbres bastante diferentes com o mesmo pedal.
O ML-2 Metal Core tem uma proposta ainda mais extrema.
Seu foco está em distorção pesada, grande volume de saída e graves definidos. Os controles Low e High permitem trabalhar separadamente as regiões graves e agudas, e o próprio projeto favorece guitarras de sete cordas e afinações baixas.
Pensando de forma prática: MD-2, MT-2 e ML-2 podem morar no mesmo território geral do high-gain, mas chegam lá de maneiras diferentes.
O HM-2W não foi criado simplesmente para competir em quantidade de ganho. Sua principal característica é uma assinatura de frequências extremamente reconhecível, associada especialmente ao chamado “Swedish chainsaw” do death metal sueco.
O HM-2 original foi produzido entre 1983 e 1991.
Décadas depois, o circuito voltou na versão HM-2W Heavy Metal, integrante da série Waza Craft. O modo Standard reproduz a personalidade do original com melhorias de ruído e nível de saída, enquanto o modo Custom acrescenta ganho, definição e alterações na resposta de graves e médio-agudos.
Apesar da forte associação com metal extremo, o HM-2 também acabou aparecendo em outros contextos, incluindo rock alternativo e shoegaze.
Ele representa bem uma característica importante dos pedais de distorção: algumas vezes, o que torna um circuito interessante não é sua versatilidade, mas justamente sua personalidade.
Nem sempre você procura um pedal que faça tudo.
Às vezes procura exatamente aquele som.
ST-2, JB-2 e OS-2 ajudam a mostrar como a fronteira entre overdrive, distortion e comportamento de amplificador pode se tornar bastante ampla.
O ST-2 Power Stack foi projetado para reproduzir a sensação de amplificadores valvulados do tipo stack. Seu controle Sound altera simultaneamente quantidade de ganho e característica do timbre, permitindo caminhar de crunch até distorções modernas de alto ganho. Ele também possui equalização independente de graves e agudos.
O resultado é uma proposta menos focada em “um pedal de distorção tradicional” e mais próxima da experiência de controlar o ganho de um amplificador.
O JB-2 Angry Driver nasceu da colaboração entre BOSS e JHS Pedals.
Ele combina o circuito do BD-2 Blues Driver com o Angry Charlie da JHS, oferecendo controle independente dos dois lados e permitindo utilizá-los separadamente, em série ou em paralelo.
Já o OS-2 OverDrive/Distortion, apesar de aparecer na categoria de overdrive da BOSS, merece entrar nesta conversa.
Ele utiliza dois circuitos independentes, um de overdrive e outro de distorção. O controle Color permite percorrer os dois extremos ou misturá-los em paralelo.
Esses três exemplos mostram por que organizar pedais apenas pela palavra escrita na carcaça nem sempre conta a história inteira.
Os pedais tradicionais, os modelos Waza Craft e os pedais com MDP representam diferentes abordagens de engenharia dentro da própria BOSS.
Os compactos clássicos, como DS-1, DS-2 e MT-2, utilizam circuitos desenvolvidos para produzir uma personalidade específica através de componentes e estágios analógicos.
A série Waza Craft revisita projetos clássicos utilizando componentes selecionados, circuitos refinados e, normalmente, dois modos de operação: Standard e Custom.
É o caso do DS-1W, MT-2W e HM-2W.
O MT-2W, por exemplo, mantém a arquitetura analógica do Metal Zone, mas oferece um modo Standard refinado e um modo Custom com faixa de frequências mais ampla, maior dinâmica e comportamento diferente nos graves.
Já a tecnologia MDP segue uma abordagem digital.
No DS-1X, o processamento analisa o sinal em tempo real e atua de maneira diferente sobre seus componentes para manter clareza, dinâmica e definição mesmo com bastante ganho.
Nenhuma dessas tecnologias torna automaticamente um pedal “melhor”.
Elas oferecem ferramentas diferentes.
E é justamente por isso que ainda existe espaço no catálogo para um DS-1 de concepção clássica ao lado de um DS-1W e de um DS-1X.
A escolha deve começar pelo tipo de resposta que você procura, e não simplesmente pelo pedal que oferece mais ganho. Estilo musical, guitarra, captadores, amplificador, afinação e função do pedal dentro do seu setup influenciam bastante o resultado.
Se você procura uma distorção clássica para rock, punk, grunge e sons alternativos, DS-1 e DS-2 são pontos naturais de comparação.
Se quer uma abordagem mais refinada do circuito clássico, o DS-1W merece atenção.
Para uma distorção moderna com bastante definição, o DS-1X segue outra direção.
Quem trabalha com sons pesados pode comparar MD-2, MT-2 e ML-2 observando principalmente quantidade de ganho, controle dos graves e possibilidades de equalização.
O HM-2W faz mais sentido quando a personalidade específica daquele circuito faz parte do som que você procura.
ST-2 pode interessar ao guitarrista que deseja uma resposta mais próxima da sensação de um amplificador stack, enquanto OS-2 e JB-2 atendem quem valoriza a possibilidade de transitar entre diferentes tipos de drive.
O preço também pode variar bastante conforme modelo, tecnologia e série. Por isso, comparar somente o valor sem considerar a função do pedal pode levar você a escolher um equipamento que não conversa com o restante do seu setup.
Não existe um único pedal de distorção BOSS que seja a resposta correta para todo mundo.
Existe o pedal cuja proposta se encaixa melhor no seu som.
Um pedal de distorção não trabalha isoladamente. O resultado depende da guitarra, dos captadores, da regulagem do instrumento, do amplificador, da caixa utilizada e até da posição do pedal dentro da cadeia de efeitos.
Uma guitarra com humbuckers de saída alta pode empurrar o circuito de maneira diferente de uma guitarra equipada com single coils.
Um amplificador totalmente limpo também reage de forma diferente de um amplificador que já está começando a saturar.
Inclusive, uma das aplicações clássicas de pedais como DS-1 e outros drives é justamente empurrar um amplificador que já possui algum ganho, criando uma interação diferente daquela obtida ligando o mesmo pedal em um canal completamente limpo.
Por isso, ouvir demonstrações é útil, mas testar o pedal com um equipamento próximo do seu contexto pode revelar muito mais.
Na Openstage, em Porto Alegre, você pode conversar com a equipe, comparar diferentes propostas de efeitos e entender como cada pedal pode se encaixar no seu equipamento e na música que você toca.
O atendimento também é realizado online para todo o Brasil, ajudando guitarristas iniciantes e profissionais a entender as características dos equipamentos antes da escolha.
A principal conclusão é simples: os vários pedais de distorção BOSS existem porque “distorção” não é um único som.
Do ataque clássico do DS-1 à flexibilidade do DS-2, passando pela equalização profunda do MT-2, pelo peso do ML-2, pela personalidade do HM-2W e pelas tecnologias presentes nos modelos Waza e MDP, cada circuito oferece uma maneira diferente de transformar o sinal da guitarra.
E esse é justamente o objetivo do nosso Guia dos Pedais BOSS: entender o que existe por trás das diferentes cores e nomes dos pedais para que você consiga relacionar cada efeito ao som que deseja construir.
Se você quer conhecer os pedais BOSS de perto, tirar dúvidas ou descobrir qual modelo combina melhor com sua guitarra, seu amplificador e seu estilo musical, converse com a equipe da Openstage. Você pode visitar nossa loja em Porto Alegre ou falar conosco online, com atendimento e envio para todo o Brasil.
Conteúdo desenvolvido por Lucas de Paula para Openstage.
